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BR2\ENGAGE · Roteiro de conversa

Conversar com o colaborador: o jeito certo para cada situação

Para conversar bem com o colaborador, escolha o momento, diga logo o motivo da conversa, pergunte antes de explicar e termine com um combinado por escrito. Conversa boa tem pouca pauta, muita escuta e uma próxima data marcada, seja ela um feedback, um 1:1, uma mudança ou um assunto difícil.

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Faça hoje: Escolha a conversa que você vem adiando e escreva agora, em uma frase, o que quer que aconteça ao fim dela.

O roteiro, passo a passo

  1. Abrir · 2 min

    Obrigado por vir. Quero falar sobre [assunto] e quero primeiro ouvir você.

  2. Ouvir · 5 min

    Como você vê isso? Pode falar à vontade.

  3. Dizer · 3 min

    O que eu vejo é isto: [fato]. E o efeito que percebo é [efeito].

  4. Combinar · 4 min

    O que a gente faz a partir daqui? O que você precisa de mim?

  5. Fechar · 1 min

    Vou te mandar o que combinamos hoje. Podemos conversar de novo em [data]?

Antes de falar: escolha o lugar, a hora e o objetivo

Antes de falar, escolha um lugar reservado, um horário sem pressa e um objetivo de uma frase: o que você quer que aconteça ao fim da conversa. Sem esse objetivo, a conversa vira desabafo ou sermão, e nenhum dos dois muda nada.

O lugar importa mais do que parece. Corredor, mesa aberta e grupo de mensagens expõem a pessoa e fazem cada palavra pesar. Prefira uma sala, um canto tranquilo ou uma caminhada. Para quem trabalha no chão da fábrica, um ponto fora do barulho, dentro do horário de trabalho, funciona. Não use o intervalo de descanso nem o de refeição.

Quanto à hora, evite o fim do expediente de sexta-feira e os momentos de pico. Avise com um pouco de antecedência e diga o assunto em linhas gerais, para não criar susto. “Quero conversar sobre a escala da próxima semana” é melhor do que “precisamos conversar”, que deixa a pessoa imaginando o pior.

O roteiro-base de 15 minutos em 5 passos

O roteiro-base tem cinco passos em 15 minutos: abrir, ouvir, dizer, combinar e fechar. Ele serve para a maior parte das conversas de gestão e pode ser ampliado quando o assunto pede mais tempo. Os tempos são referência, e não regra.

Em cada passo há uma frase de abertura, a que está no roteiro. Use-a com suas palavras, mas mantenha a ordem: ouvir antes de dizer faz toda a diferença. Quem chega com a decisão pronta e só comunica não conversa, informa.

Se a conversa passar do tempo, tudo bem; o passo que costuma ser cortado é o de combinar, e é justamente ele que dá sentido à conversa. Reserve sempre os últimos minutos para o que fica combinado e quando se volta ao assunto.

  • Abrir: diga o motivo e que quer ouvir primeiro.
  • Ouvir: pergunte e fique em silêncio até a pessoa terminar.
  • Dizer: fale do fato e do efeito, sem rótulos.
  • Combinar: defina o que cada um faz e até quando.
  • Fechar: confirme que enviará por escrito e marque a próxima data.

Perguntar antes de explicar: perguntas que abrem a conversa

Perguntar antes de explicar abre a conversa: as melhores perguntas são abertas, curtas e sem resposta embutida. Quem pergunta “por que você fez isso?” provoca defesa; quem pergunta “o que aconteceu?” convida à explicação. O tom é o mesmo da curiosidade genuína.

Algumas perguntas que funcionam em quase qualquer situação: “O que está mais difícil agora?”, “O que eu poderia fazer diferente?”, “O que você precisa que ainda não tem?”, “Como você vê isso?”. Escolha uma ou duas e deixe espaço para a resposta.

Depois de perguntar, espere. O silêncio incomoda quem pergunta e dá tempo a quem responde. Conte até cinco antes de preencher o vazio. E quando a pessoa responder, repita o que ouviu com suas palavras, para mostrar que entendeu.

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O que evitar: interromper, comparar e resolver por mensagem o que cabe em voz

Evite interromper, comparar com colegas e resolver por mensagem o que cabe em voz. Esses três hábitos fecham a conversa antes de ela começar e custam confiança difícil de recuperar. No lugar, escute até o fim, fale da própria pessoa e use a voz para o que importa.

Interromper passa a ideia de que sua opinião vale mais. Se precisar, anote o ponto e retome. Comparar (“o Marcos faz melhor”) humilha e não ensina; descreva o que você espera. E mensagem de texto serve para marcar horário ou confirmar um combinado, não para tratar de conflito, desempenho ou notícia difícil.

Cuide também do corpo: celular guardado, olhar para a pessoa, sem digitar durante a conversa. Parece detalhe, mas é o que mais mostra respeito.

Que conversa para qual situação

Cada situação pede um roteiro próprio, e este guia aponta o caminho. Para dar retorno sobre o trabalho, há o roteiro de feedback. Para o acompanhamento regular, o 1:1 mensal. Para anunciar algo que muda, a conversa de mudança. Para temas delicados, as conversas difíceis, de desligamento e de retorno.

Se você está em dúvida sobre qual escolher, pergunte-se qual é o objetivo: dar um retorno, ouvir, informar, combinar ou cuidar. Cada objetivo corresponde a um formato, e misturá-los costuma confundir. Uma conversa de feedback não deve virar anúncio de mudança.

Comece pelas conversas de menor risco, como feedback positivo e 1:1, para ganhar prática. As conversas difíceis ficam mais fáceis quando o hábito de conversar já existe.

Como registrar o combinado sem virar burocracia

Registre o combinado em três linhas, enviadas à pessoa no mesmo dia: o que foi dito, o que foi combinado e a próxima data. Não precisa de formulário nem de sistema; uma mensagem curta serve. O objetivo é que os dois lembrem da mesma coisa.

Escreva em linguagem simples, sem jargão, e peça confirmação: “Entendi certo?”. Se a pessoa discordar de algo, você descobre antes que vire problema. Guarde a cópia no local que o RH indicar, com acesso restrito.

Para assuntos que envolvem desempenho, conflito ou saída, combine com o RH como e onde registrar. Os cuidados variam, e essa orientação é da empresa.

Modelo para copiar e ajustarOi, [nome]. Resumo da nossa conversa de hoje: 1) falamos sobre [assunto]; 2) combinamos que [o que cada um faz]; 3) vamos conversar de novo em [data]. Entendi certo? Se faltar algo, me conte.

Perguntas frequentes

Perguntas e respostas

Qual é o melhor lugar para conversar com o colaborador?

Um lugar reservado, sem interrupção e sem plateia. Para assuntos delicados, evite a mesa aberta e o corredor. Para temas leves, caminhar junto ou tomar um café pode deixar a conversa mais natural.

Com que frequência conversar?

O ideal é ter um ritmo previsível: uma conversa individual por mês, no mínimo, e conversas curtas sempre que algo importante acontecer. A regularidade importa mais que a duração. Marque na agenda e respeite a data.

E se a pessoa não quiser falar?

Não force. Diga o que você percebeu, sem acusar, e ofereça outra hora ou outro formato, como caminhar ou escrever. Mostre que a porta fica aberta e volte ao assunto na data combinada.

Responsabilidade editorial

Conteúdo com origem, método e revisão.

Responsável
Marcelo Azengo, sócio-fundador e CEO da Agência BR2 (conheça o Marcelo)
Última revisão registrada
Critério de revisão
Escopo, linguagem e evidências passam por revisão sênior antes da entrega.

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