Comunicação interna acessível: checklist em 10 itens
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Comunicação interna acessível: checklist em 10 itens

Dez conferências antes de publicar um comunicado: contraste, linguagem, legenda, leitura em voz alta e um caminho para quem não lê na tela.

Comunicação interna acessível é a que chega a quem precisa da informação, do jeito que cada pessoa consegue usar. Quem lê no celular ao sol. Quem tem baixa visão. Quem é surdo. Quem lê devagar. Quem trabalha de luva e protetor auricular. Quem não tem e-mail corporativo. Compreender é também conseguir acessar.

O erro mais comum é deixar a acessibilidade para o fim, como uma revisão de última hora. Aí ela vira remendo: uma legenda colada às pressas, uma versão impressa que chega depois do prazo. Este checklist foi feito para entrar antes, no briefing, na redação e na revisão.

São dez caixas. Cada uma tem o porquê em uma linha.

Antes de escrever: três perguntas no briefing

  • Quem vai ler, onde e em que condição? Escritório, linha, campo, loja, estrada, casa.
  • Em que formas o comunicado vai existir? Tela, papel, áudio, fala da liderança.
  • Quem vai testar antes de publicar?

Com essas respostas, metade do checklist já está decidida.

O checklist

1. Contraste que se lê em qualquer tela. Texto escuro sobre fundo claro, ou o contrário. Nada de texto sobre foto ou sobre cor média. Por quê: quem lê no celular, no sol ou com a vista cansada perde primeiro o texto de pouco contraste.

2. Título que diz o assunto, uma ideia por bloco. O título conta o que muda. Cada parágrafo trata de uma coisa só. Por quê: muita gente lê só o título; se ele não diz nada, a mensagem para ali.

3. Linguagem simples. Frases curtas, palavras do dia a dia, sigla explicada na primeira vez que aparece. Por quê: escolaridade, idioma e repertório mudam dentro do mesmo time.

4. O que fazer, até quando e com quem falar, logo no começo. Por quê: quem lê com dificuldade ou com pressa precisa achar a ação sem atravessar o texto inteiro.

5. Imagem e cor não carregam a informação sozinhas. A imagem que informa ganha uma frase de texto alternativo; a decorativa é marcada como decorativa. O que a cor quer dizer ("vermelho é proibido") também vai escrito. Por quê: o leitor de tela lê o texto alternativo, e quem não distingue cores perde o que está só no vermelho.

6. Legenda em todo vídeo, transcrição em todo áudio. Por quê: serve a quem é surdo, a quem está num lugar com ruído e a quem assiste sem fone.

7. Documento com texto de verdade, não imagem de texto. Títulos marcados como título, listas como lista, link com nome que diz aonde leva. Evite o PDF escaneado. Por quê: o leitor de tela não lê o texto que está dentro de uma imagem.

8. Leitura em voz alta antes de publicar. Por quê: o ouvido pega a frase longa demais, o duplo sentido e o tom errado que o olho deixa passar.

9. Um caminho para quem não lê na tela. A mesma informação aprovada em outra forma: fala do líder na troca de turno, áudio curto, cartaz no ponto de parada, versão impressa. Por quê: turno, campo e chão de fábrica nem sempre têm tela, e a mensagem precisa chegar igual.

10. Um teste com quem vai ler. Antes de soltar, duas ou três pessoas do público, de áreas e turnos diferentes, leem e contam o que entenderam. Faça um convite aberto: quem aceitar não precisa explicar por que se ofereceu. Por quê: o checklist mostra o que conferir; só quem vai ler mostra o que ainda trava.

O que este checklist não é

Não é auditoria nem atestado de conformidade com normas de acessibilidade. Sites e sistemas que precisam de conformidade formal pedem uma avaliação especializada, com teste técnico. Este guia é a conferência editorial que cabe em qualquer comunicado, do e-mail ao cartaz.

Perguntas frequentes

O que é comunicação interna acessível?

É a comunicação que chega a todo o público que precisa dela, em formas que cada pessoa consegue usar: ler, ouvir, ver ou ouvir de alguém.

Acessibilidade é só para pessoas com deficiência?

Começa por elas, e serve a mais gente: quem lê no celular, quem está com pressa, quem trabalha com ruído, quem fala outra língua em casa.

Preciso de uma ferramenta nova?

Na maior parte, não. Contraste, títulos, linguagem, texto alternativo e legenda se resolvem no editor que você já usa e na revisão. Word e PowerPoint têm a função "Verificar acessibilidade", na guia Revisão.

Quem deve testar o comunicado?

Duas ou três pessoas do público real, de áreas e turnos diferentes, convidadas sem precisar dizer por que aceitaram. O teste é sobre o texto, não sobre elas.

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