Contratar marketing jurídico é dividir o trabalho, não a responsabilidade. A agência escreve, organiza e publica. Quem responde pelo que foi ao ar é o advogado. Por isso a escolha não é só de criação: é de quem conhece a norma e sabe onde ela para.
Este guia organiza a escolha em critérios que dá para conferir antes de assinar, compara os modelos de contratação e traz o checklist do que nenhuma agência pode fazer em nome do escritório, dentro do Provimento 205/2021 da OAB.
Antes de procurar: escreva o pedido em três linhas
A comparação só funciona se todas as agências receberem o mesmo pedido. Antes do primeiro contato, escreva três linhas:
- Em que área o escritório quer ser reconhecido primeiro. Uma especialidade bem explicada vale mais que dez áreas listadas.
- Onde o escritório aparece hoje. Site, perfil, conteúdo, ou nada ainda.
- Quem aprova e responde pelas peças. O sócio ou o advogado que valida cada publicação.
Com isso, cada proposta responde à mesma pergunta. Sem isso, você compara pacotes de posts.
Oito critérios que dá para conferir
Critério bom é o que você confere sem depender da palavra de ninguém. Cada um vem com a forma de conferir.
1. Conhece a norma e mostra por escrito. A agência separa informação de captação antes de escrever. Como conferir: peça o material que ela usa para isso. Um mapa escrito do que pode e do que não pode vale mais que a frase “trabalhamos dentro da OAB”.
2. Deixa a decisão com o advogado. A agência aponta o risco de cada peça; a validação e a decisão de publicar são de quem responde pela inscrição. Como conferir: a proposta diz quem aprova cada peça antes de ir ao ar?
3. O conteúdo jurídico passa pelo advogado. A agência escreve; quem confere o Direito é o escritório. Como conferir: a proposta prevê uma etapa de revisão técnica, com prazo, antes da publicação?
4. Sigilo sem exceção. Caso de cliente, valor obtido, decisão e número de processo não viram conteúdo, mesmo sem nome. Como conferir: pergunte o que a agência faria com um caso que o cliente autorizou divulgar. A resposta certa é transformar a tese em conteúdo abstrato, sem o caso.
5. Pauta por especialidade. Cada área do Direito tem público, linguagem e datas próprias. Como conferir: peça três pautas da sua área. Pauta genérica de dicas mostra que a agência ainda não estudou a especialidade.
6. Regra para rede social. O risco costuma nascer nos stories, na resposta em comentário e no repost. Como conferir: pergunte como a agência responde à dúvida de um seguidor. Responder no geral e chamar para o privado é o caminho; responder o caso concreto em público é consulta.
7. Impulsionamento com critério. Pagar por alcance amplia o acerto e o erro. Como conferir: pergunte o que a agência impulsiona e como segmenta. Peça com promessa, oferta comercial ou convocação ao litígio não se impulsiona, e segmentação que mira cliente determinado vira captação.
8. Proposta com limite escrito. Escopo, formatos, prazo, rodadas de ajuste e o que fica fora. Como conferir: a proposta diz o que acontece quando o advogado veta uma peça?
Modelos de contratação: qual serve ao escritório
Antes de escolher a agência, escolha o formato. O mesmo fornecedor pode ser a escolha certa num modelo e a errada em outro.
| Modelo | Serve quando | Cuidado com |
|---|---|---|
| Agência de marketing digital generalista | O escritório quer volume e já tem quem filtre cada peça pela norma | A régua de varejo: “promoção”, urgência e prova de resultado |
| Agência com foco em marketing jurídico | O escritório quer posicionamento, conteúdo e presença com a fronteira da norma escrita | Confirmar que a decisão de publicar continua com o advogado |
| Redator jurídico autônomo | Falta texto, e o escritório já tem estratégia, design e revisão | Cobertura de ausência, design e rede social |
| Equipe interna de marketing | O escritório publica toda semana e pode formar gente na norma | Formação contínua e revisão independente |
| Diagnóstico e guia de linguagem | O escritório quer publicar sozinho, com a fronteira desenhada | A execução e a revisão de cada peça ficam com o escritório |
Os formatos convivem. Um diagnóstico com guia de linguagem pode vir antes de qualquer um dos outros.
O que a agência não pode fazer por você: o checklist do Provimento 205/2021
Nenhum contrato transfere a responsabilidade pela publicidade do escritório. Use esta lista para conferir a agência antes de assinar e durante o contrato. Se a agência se oferecer para fazer qualquer item abaixo, a conversa termina ali.
- Prometer resultado de causa, em qualquer peça: “resultado garantido”, “você vai receber”.
- Anunciar honorários, preço, condição de pagamento ou “primeira consulta grátis”.
- Chamar o escritório de “o melhor”, “líder” ou “número 1”.
- Publicar caso de cliente, valor obtido, print de decisão ou número de processo, mesmo sem nome e mesmo com autorização do cliente.
- Convocar ao litígio ou mirar cliente determinado: “Foi demitido? Clique aqui e processe agora.”
- Chamar o advogado de “especialista” sem título registrado.
- Criar urgência ou alarme: “últimos dias”, “ninguém te conta”.
- Impulsionar peça com promessa, oferta comercial ou convocação ao litígio.
- Responder em público, em nome do advogado, à dúvida de um caso concreto.
- Assinar pela conformidade. A agência aponta o risco; a validação e a decisão de publicar são do advogado. Agência não emite parecer jurídico.
Este checklist resume o que o Provimento 205/2021 e o Código de Ética e Disciplina da OAB tratam como publicidade vedada, na leitura do guia prático do Provimento 205/2021. O texto oficial está no site da OAB. Antes de publicar, o verificador de conformidade faz uma primeira leitura automática do texto, sem cadastro.
As perguntas para fazer na primeira conversa
Leve estas perguntas para a primeira reunião. A forma da resposta importa tanto quanto o conteúdo: quem responde com exemplo concreto já fez aquilo antes.
- Como vocês separam conteúdo informativo de captação? Posso ver o material que vocês usam?
- Quem aprova cada peça antes de publicar, e em quanto tempo?
- O que vocês fazem com um caso que o cliente autorizou divulgar?
- Quais pautas vocês proporiam para a minha área?
- Qual é a regra para responder comentário e mensagem de seguidor?
- O que vocês impulsionam, e como segmentam?
- Como vocês acompanham mudanças nas regras de publicidade da OAB?
- O que vocês medem, e o que vocês não prometem?
Sinais de alerta
- Promete número de clientes ou de processos. Nenhuma agência controla quem contrata o escritório.
- Mostra caso de cliente de outro escritório como prova. Vai fazer o mesmo com os seus.
- Fala em ser “o escritório número 1”. Superlativo é vedado e não tem fonte.
- Propõe anúncio com preço ou condição comercial. É a lógica de varejo que a norma afasta.
- Quer publicar sem a sua aprovação. A responsabilidade continua sua.
- Não pergunta a sua especialidade. Conteúdo genérico não constrói autoridade em área nenhuma.
- Trata stories e comentários como terreno livre. O risco costuma nascer justamente lá.
Como a BR2 responde a estes critérios
A BR2 LEGAL faz posicionamento, conteúdo e presença digital para advogados e escritórios. Pelos mesmos critérios:
- A fronteira por escrito. O diagnóstico vem com um guia de linguagem OAB, em arquivo editável, com o que pode e o que não pode segundo o Provimento 205/2021 e o Código de Ética.
- A decisão é do advogado. A BR2 aponta o risco de cada peça por escrito antes de publicar. A validação de conformidade e a decisão de publicar são sempre do advogado responsável. A BR2 não emite parecer jurídico.
- Pauta por especialidade. As especialidades jurídicas mostram público, pauta e limites de cada área do Direito.
- Uma primeira leitura gratuita. O verificador de conformidade aponta trechos de risco num texto, sem cadastro, e o texto não sai do navegador.
- Prazo publicado. Em prazos medidos, a BR2 mostra a data combinada contra a data de entrega, com a procedência da conta.
- Proposta em até 3 horas, 24/7. O prazo conta do pedido claro: o que é, para quem e para quando. A proposta traz escopo, prazo e valor, e como a BR2 orça mostra o que muda o investimento.
Perguntas frequentes
Qual a melhor agência de marketing jurídico?
A que passa nos critérios deste guia com prova na mão: conhece o Provimento 205/2021 e mostra isso por escrito, deixa a decisão com o advogado, não divulga caso de cliente e não promete resultado. Peça essas provas a cada agência da sua lista e compare.
Advogado pode contratar agência de marketing?
Pode. O Provimento 205/2021 regula a publicidade da advocacia, não a proíbe. A responsabilidade pelo que vai ao ar continua com o advogado, e por isso a aprovação de cada peça precisa ficar com ele.
Advogado pode anunciar no Google?
A leitura predominante é que impulsionar conteúdo informativo é admissível, desde que a peça respeite as vedações e a segmentação não mire cliente determinado. Anúncio com promessa, preço ou convocação ao litígio não se sustenta. Na dúvida, consulte a comissão competente da sua seccional.
Quanto custa contratar uma agência de marketing jurídico?
Depende do escopo: diagnóstico, guia de linguagem, volume de conteúdo, canais, revisão e prazo. Compare propostas feitas sobre o mesmo pedido, com o mesmo limite escrito. Preço sozinho não diz o que está incluído.
A agência pode garantir clientes para o escritório?
Não. Nenhuma agência controla quem contrata o escritório. O que dá para combinar é o trabalho: posicionamento, conteúdo e presença consistentes, dentro da norma.
Pedir proposta à BR2 LEGAL: conte a área do escritório, onde ele aparece hoje e quem aprova as peças.
Continue lendo:
- Marketing jurídico dentro do Provimento 205/2021: o guia prático
- Marketing jurídico: o que o Provimento 205 libera (e o que continua proibido)
Este texto é material informativo sobre comunicação e não constitui orientação jurídica. Em caso de dúvida sobre um caso concreto, consulte a comissão competente da sua seccional.




